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As provas de Física nos vestibulares não são iguais e, às vezes nem parecidas. Em alguns exames, os conhecimentos matemáticos são mais valorizados e a habilidade em fazer cálculos predomina; em outros, a leitura e interpretação mais profunda do enunciado constitui o principal trabalho; a contextualização e a interdisciplinaridade aparecem com mais ênfase e daí a necessidade de um conhecimento mais generalista e uma capacidade bem desenvolvida de argumentação e domínio de linguagens.
As provas objetivas (ou de 1ª fase) e específicas (ou de 2ª fase) também apresentam diferenças. Na 1ª fase, normalmente as questões são mais tradicionais e diretas, envolvem cálculos e análises mais simples. Na 2ª fase, os assuntos são explorados com maior profundidade exigindo um aluno com perfil de bom leitor e maior poder de argumentação para dar solução aos problemas propostos.
A maioria das provas ainda segue um modelo de divisão de conteúdo tradicional no qual a Mecânica e a Eletricidade aparecem com maior ênfase. Essas duas divisões da Física Clássica (anterior ao início do século XX) chegam a representar juntas de 65% a 80% das questões desta disciplina numa prova típica. Conceitos como velocidade, força, energia, quantidade de movimento e suas relações e derivações são fundamentais no estudo da Mecânica. Já a carga elétrica, corrente, tensão resistência e potência elétrica são fundamentos indispensáveis no estudo da Eletricidade. Conceitos acerca do comportamento da luz (Óptica), ondas, ímãs e propriedades do magnetismo, calor e temperatura são outros pontos importantes a serem ressaltados. Há ainda assuntos relativos ao início da Física Moderna que têm comparecido nos melhores exames e que vieram para ficar.
Unicamp
O professor de física do Cursinho da Poli, Venerando Santiago de Oliveira, participou de uma oficina com integrantes da banca corretora de Física da Unicamp e afirma que este vestibular tem uma proposta bem clara: selecionar alunos que saibam ler e interpretar enunciados, lidar com gráficos e esquemas, raciocinar, argumentar e propor soluções aos problemas de forma clara e bem articulada, além de dominar adequadamente as principais formas de linguagem e expressão. Uma base conceitual sólida é mais importante do que conhecimento puro e simples de fórmulas. Tanto que algumas delas são dadas nos próprios enunciados. As questões são sempre contextualizadas, dividas em itens que procuram mesclar os diferentes aspectos da física aplicados a uma mesma situação. Na 1ª fase, questões mais diretas e elementares. Na 2ª fase, cobra-se, gradativamente, do conhecimento mais simples à análises mais complexas, sempre com a premissa básica da busca por um aluno pensante e não com conhecimento enciclopédico.
Fuvest
A Fuvest aplica uma prova de primeira fase mais tradicional, cobrando conceitos mais gerais e certa habilidade com cálculos implicando domínio de certo conjunto de fórmulas e equações. Em geral as questões não são contextualizadas e se restringem ao âmbito de análises de situações puramente físicas e teóricas, salvo exceções sempre bem-vindas. As provas de 2ª fase procuram fazer um trabalho mais detalhado, propondo situações onde o aluno possa demonstrar melhor seu conhecimento, competências e habilidades. A teoria, nem sempre aliada à prática e ao cotidiano, prevalece.
Para esse próximo vestibular, a Fuvest promete uma "revolução" com uma prova inovadora, sem divisão clássica entre disciplinas e a presença marcante de questões interdisciplinares. Ao abolir as tradicionais divisões em disciplinas, mesmo que isso se restrinja a algumas questões, pode-se favorecer o aluno pensante (caso as questões sejam bem feitas), bom leitor, com nível de cultura geral mais amplo e que não se prenda à memorização excessiva e desnecessária.
Não sabemos exatamente como isso será levado a cabo, mas aguardamos ansiosos por um excelente resultado e que este venha para ficar. Os alunos e professores agradecem.
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